Purificador de ar industrial: como garantir conformidade em auditorias de segurança do trabalho

Teto industrial com dutos de ar de um sistema de ventilação e purificação de ar industrial.

Em ambientes industriais, a qualidade do ar está diretamente relacionada à segurança dos trabalhadores e à continuidade da operação. Mas é preciso ficar atento, pois poeiras, partículas, aerossóis, vapores, gases e outros contaminantes podem estar presentes no ambiente ou no próprio sistema de ar comprimido, muitas vezes sem serem perceptíveis.

Para empresas que utilizam ar comprimido, essa atenção precisa ser ainda maior. Afinal, o fato de o ar parecer limpo ou de a operação nunca ter registrado um incidente não significa que ele esteja adequado para ser respirado.

Por isso, entender como funcionam os purificadores de ar industrial, quais contaminantes precisam ser controlados e quais requisitos devem ser considerados é fundamental para reduzir riscos e evitar não conformidades em auditorias de segurança do trabalho.

Neste conteúdo, você vai entender a relação entre poluição do ar industrial, sistemas de purificação, ar respirável e requisitos como a NR-33, além de conhecer os principais pontos que devem ser avaliados antes de uma auditoria. Nos acompanhe!

O que é um purificador de ar industrial?

Um purificador de ar industrial é um sistema desenvolvido para remover ou reduzir contaminantes presentes no ar, utilizando diferentes tecnologias de filtragem e tratamento de acordo com as características da aplicação.

A escolha desse sistema não deve ser feita apenas considerando a vazão ou o tipo de equipamento. É necessário identificar quais contaminantes estão presentes, em que concentração, qual é a origem deles e qual será a finalidade do ar tratado.

Entre os contaminantes que podem exigir controle estão:

  • material particulado;
  • poeiras e fuligem;
  • aerossóis;
  • óleo e vapores de óleo;
  • água e umidade;
  • micro-organismos;
  • gases;
  • compostos orgânicos voláteis (COVs);
  • monóxido de carbono (CO);
  • dióxido de carbono (CO₂).

Nas aplicações industriais, diferentes tecnologias podem ser utilizadas para tratar esses contaminantes. Por isso, especificar corretamente o sistema de purificação é uma etapa essencial para garantir desempenho e segurança.

Poluição do ar em ambientes industriais: quais são os principais riscos?

A poluição do ar em ambientes industriais pode ter diferentes origens. Processos de soldagem, pintura, corte, moagem, movimentação de materiais, combustão e manipulação de produtos químicos, por exemplo, podem liberar partículas, fumaças, gases e vapores. Vamos entender mais sobre esses contaminantes?

Material particulado e aerossóis

O material particulado pode ser gerado por processos mecânicos e térmicos e permanecer suspenso no ambiente. Dependendo de suas características e dimensões, essas partículas podem atingir diferentes regiões do sistema respiratório.

Para controlar esse tipo de contaminante, sistemas de filtração podem utilizar diferentes níveis de retenção. Pré-filtros, filtros finos e filtros absolutos, como os HEPA H14, podem ser empregados de acordo com a necessidade da aplicação.

Gases, vapores e COVs

Processos industriais que utilizam solventes, tintas, combustíveis e outros produtos químicos também podem gerar Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).

Dependendo do processo, tecnologias como carvão ativado, torres de carvão ativado, lavadores de ar e sistemas de tratamento térmico podem ser utilizadas para controlar esses contaminantes.

A solução adequada depende sempre da composição do contaminante e das condições específicas da operação.

Contaminantes no ar comprimido

Outro ponto que merece atenção é o próprio sistema de ar comprimido.

Compressores, tubulações, reservatórios e componentes da rede podem introduzir ou transportar partículas, água, óleo e outros contaminantes. Por isso, o ar comprimido utilizado em processos industriais não deve ser automaticamente considerado adequado para respiração.

Saber essa diferença é fundamental quando falamos de segurança ocupacional.

Ar comprimido industrial pode ser utilizado como ar respirável? 

Não necessariamente. O ar comprimido utilizado para movimentar equipamentos, operar ferramentas pneumáticas ou realizar determinados processos industriais possui requisitos diferentes daquele destinado à respiração humana.

Quando o ar é utilizado por trabalhadores, é necessário garantir que sua qualidade esteja dentro dos parâmetros aplicáveis à utilização como ar respirável. Isso é especialmente importante em atividades realizadas em espaços confinados, operações de jateamento e outras situações nas quais o trabalhador depende de uma fonte controlada de ar para sua proteção.

Nesses casos, simplesmente instalar filtros convencionais na linha de ar não é suficiente. O sistema precisa ser especificado considerando os contaminantes críticos e os requisitos da aplicação.

Entre os contaminantes que precisam ser controlados estão partículas, água, óleo, vapores de óleo, monóxido de carbono, dióxido de carbono, micro-organismos e outros compostos que possam comprometer a qualidade do ar.

Como funciona um sistema de purificação de ar respirável? 

Um sistema de purificação combina diferentes etapas de tratamento para reduzir os contaminantes presentes no ar comprimido. A tecnologia utilizada depende da qualidade do ar de entrada e do nível de pureza necessário na saída.

Filtração de particulados 

Filtros podem ser utilizados em diferentes etapas para remover partículas, poeiras, aerossóis e outros contaminantes sólidos. Eles se dividem principalmente em pré-filtros G4, filtros finos F9 e filtros absolutos HEPA H14, e possuem diferentes capacidades de retenção, devendo ser especificados conforme a aplicação.

Filtros coalescentes e carvão ativado 

Filtros coalescentes são utilizados para separar aerossóis líquidos e partículas presentes no fluxo de ar, enquanto o carvão ativado pode atuar na remoção de determinados vapores e compostos.

Essas tecnologias também são encontradas em aplicações de ar comprimido destinadas a ferramentas pneumáticas, processos de pintura e equipamentos utilizados em atividades como jateamento.

Tratamento de gases e vapores 

Em determinadas aplicações industriais, pode ser necessário utilizar tecnologias específicas para controlar gases, vapores e COVs. Torres de carvão ativado, lavadores de ar e incineradores, por exemplo, podem fazer parte das estratégias de controle de emissões e contaminantes.

Para sistemas de ar respirável, entretanto, a seleção da tecnologia precisa considerar especificamente os contaminantes críticos e os requisitos das normas aplicáveis.

Qualidade do ar interior na indústria: por que ela importa?

O conceito de qualidade do ar interior também precisa ser considerado no ambiente industrial, principalmente em locais fechados ou com processos capazes de gerar contaminantes.

A avaliação da qualidade do ar em uma indústria envolve fatores como:

  • processos realizados no ambiente;
  • contaminantes gerados;
  • sistemas de ventilação;
  • renovação do ar;
  • exaustão localizada;
  • concentração dos contaminantes;
  • tempo de exposição dos trabalhadores;
  • características do espaço.

No entanto, é importante diferenciar a qualidade do ar presente no ambiente de trabalho da qualidade do ar comprimido utilizado para respiração. São duas situações que podem envolver riscos à segurança dos trabalhadores, mas que exigem controles específicos.

Uma indústria pode, por exemplo, apresentar condições adequadas de ventilação e controle dos contaminantes no ambiente e, ainda assim, precisar de um sistema específico de purificação para o ar comprimido fornecido aos trabalhadores.

Isso acontece porque o próprio sistema de geração e distribuição do ar comprimido pode introduzir ou transportar contaminantes como partículas, água, óleo, vapores e gases. Quando esse ar é destinado à respiração, sua qualidade precisa ser controlada de acordo com os requisitos específicos da aplicação.

Quais Normas NR devem ser consideradas para sistemas de ar respirável?

A conformidade depende da atividade realizada, das características da operação e dos riscos envolvidos. Entre as referências mais importantes está a NR-33, especialmente para atividades realizadas em espaços confinados.

Nesses ambientes, a avaliação e o controle dos riscos atmosféricos são fundamentais para proteger os trabalhadores. E além das Normas NR aplicáveis à atividade, outras referências técnicas podem ser utilizadas para estabelecer critérios de qualidade do ar respirável, como:

  • EN 12021;
  • OSHA Grade D;
  • CSA Z180.1;
  • ISO 8573-1.

Cada norma possui requisitos e escopos específicos. Por isso, a especificação de um sistema de purificação deve considerar quais referências são aplicáveis à operação e quais parâmetros precisam ser comprovados.

O que uma auditoria de segurança pode avaliar no sistema de ar respirável?

Durante uma auditoria, não basta verificar se existe um sistema de filtragem instalado. A avaliação pode envolver aspectos relacionados à especificação, manutenção, documentação, monitoramento e qualidade do ar.

Algumas perguntas importantes são:

  • O sistema utilizado é especificamente destinado à geração de ar respirável?
  • O ar comprimido passa por um sistema de purificação adequado?
  • Existe controle de contaminantes como CO e CO₂?
  • São realizadas análises periódicas da qualidade do ar?
  • Os resultados dessas análises são registrados?
  • Os equipamentos possuem documentação técnica atualizada?
  • Existe rastreabilidade dos equipamentos e componentes?
  • Há um plano de manutenção preventiva?
  • Os elementos filtrantes são substituídos conforme as recomendações do fabricante?
  • O sistema possui monitoramento das condições de operação?
  • Existem alarmes para indicar falhas ou desvios?
  • Os profissionais envolvidos recebem treinamento periódico?
  • Existem procedimentos para interromper a operação em caso de falha?

Responder “não” ou “não sei” para algum desses pontos não significa, por si só, que a operação esteja irregular. Porém, pode indicar a necessidade de uma avaliação técnica mais aprofundada.

Sistemas de purificação Parker: tecnologia para aplicações de ar respirável

Para aplicações que exigem controle rigoroso da qualidade do ar, existem sistemas desenvolvidos especificamente para a geração de ar respirável. O Parker BAS HL, por exemplo, foi desenvolvido para tratar o ar comprimido industrial e remover contaminantes críticos presentes nesse tipo de aplicação.

Entre seus recursos estão:

  • tratamento de até 15 contaminantes;
  • remoção de partículas, água, óleo e vapores de óleo;
  • controle de monóxido de carbono e dióxido de carbono;
  • conversão catalítica de monóxido de carbono;
  • secagem por adsorção;
  • ponto de orvalho de até -40 °C;
  • monitoramento contínuo;
  • alarmes operacionais;
  • comunicação Modbus;
  • certificação independente de desempenho pela LRQA.

A solução atende aos requisitos de referências internacionais aplicáveis a sistemas de ar respirável, incluindo EN 12021 e OSHA Grade D, entre outras.

A escolha do equipamento, porém, deve partir das características da operação e dos requisitos técnicos aplicáveis. O objetivo não é simplesmente instalar um filtro, mas estabelecer um sistema capaz de controlar os riscos associados à qualidade do ar.

Prepare seu sistema de ar respirável antes da próxima auditoria

Garantir a qualidade do ar respirável exige mais do que instalar equipamentos de filtragem. É necessário conhecer os contaminantes presentes, especificar corretamente as tecnologias de purificação, acompanhar o desempenho do sistema e manter documentação e manutenção em dia.

Se você ainda tem dúvidas ou precisa de auxílio técnico para escolher a solução ideal, a equipe especializada da Control Tech está à disposição para orientar sua empresa na escolha das melhores alternativas para purificação e tratamento do ar respirável.

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